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Seca em Minas Gerais pode ser pior em 2015.

Previsão de pouca precipitação para o 1º trimestre e maioria dos reservatórios mineiros com volume abaixo de 50% ampliam o risco de que seca este ano seja pior que em 2014.



A esperança de que as chuvas de dezembro a março voltassem a tornar caudalosos os rios e os reservatórios mineiros evaporou com o prolongamento da estiagem que assola o Sudeste. Sem as precipitações previstas para dezembro e com a projeção de que o primeiro trimestre, que é o mais chuvoso do ano, seja de chuvas insuficientes, a Copasa já adota medidas de reforço, a Defesa Civil está em alerta, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) recomenda cautela e cidades em todo o estado, como Pirapora, que sofre com a redução do volume do Rio São Francisco, estão apreensivas com a possibilidade de que a seca deste ano seja pior que a de 2014, com grande risco de desabastecimento.


A situação é tão grave que, em plena estação chuvosa (outubro a abril), 102 municípios mineiros estão em situação de emergência e mais da metade dos reservatórios de Minas monitorados pela Agência Nacional das Águas (ANA) está com volume abaixo de 50%. A Grande BH não corre risco de desabastecimento, segundo a Copasa.

Em 5 de janeiro do ano passado, 113 prefeituras pediram auxílio ao governo do estado e à União por causa das enchentes, vendavais e desabamentos, segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec). Ontem, exatamente um ano depois, apenas 12 cidades haviam sido atingidas por tempestades. De acordo com a Cedec, um alerta de chuva chegou a ser emitido pelos meteorologistas em dezembro passado, mas não chove. Por isso, a coordenadoria teve de ampliar as ações contra a seca, com 90 caminhões-pipa e 25 mil cestas básicas distribuídas para quem ficou sem água. Atualmente, por causa da seca, o estado se encontra em “alerta”, de acordo com a Cedec.

As chuvas irrisórias dessa estação somadas à seca prolongada do último ano deixaram 12 dos 23 reservatórios de hidrelétricas monitorados pela ANA e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) com volumes d’água abaixo da metade. O pior deles é o de Retiro Baixo, no Rio Paraopeba, entre Pompéu e Curvelo, que está praticamente seco, chegando a 4,3% de seu volume total.

Em seguida, também em situação crítica, com 9,34% de seu volume, está a Usina de Baguari. Por ser do tipo “fio de água”, que não precisa de grandes barramentos, mas de um fluxo contínuo do rio, a usina tem um grande indicador de seca no Rio Doce, na altura de Governador Valadares, nona maior população do estado, com 245 mil habitantes. Em terceiro, está a Usina de Queimado, em Unaí, no Noroeste de Minas, com 8,65%.

ALERTA Segundo o alerta emitido no fim de dezembro pelo Inpe, o déficit de chuvas de dezembro no Norte de São Paulo, Centro-Sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro se somou a anomalias do clima que impediram precipitações em outubro e novembro, gerando uma “estação chuvosa mais fraca em seu início”, para o Sudeste do país.

Diante disso, o instituto, que monitora os satélites meteorológicos nacionais e detém os bancos de dados desse setor, fez recomendação preocupante aos poder público sobre racionamento: “Este cenário requer maiores cuidados aos tomadores de decisão, principalmente em função das condições de baixa umidade do solo após longo período de estiagem e seca na Região Sudeste do Brasil”.

Para o biólogo Ricardo Motta Pinto Coelho, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a previsão é de falta de água. “A crise hídrica está sendo aguçada e com isso o racionamento de energia elétrica e de abastecimento é realidade que só os governos não querem ver. O baixo nível das águas é resultado de recargas de lençóis subterrâneos comprometidos e que respondem por 90% da água doce”, afirma.

Segundo o especialista, pouco tem sido feito pelo poder público para evitar desabastecimento: “Os governos deveriam orientar a população a tomar medidas de cautela no uso da água. Medidas de retenção de água deveriam estar sendo tomadas no meio rural”.

Tanto Coelho quanto o meteorologista do Instituto Mineiro das Águas (Igam) Adelmo Correia concordam que dezembro e janeiro são fundamentais para a recarga de reservatórios. “São os meses mais importantes, com médias históricas de quase 300 milímetros de chuvas, em Belo Horizonte, por exemplo. Fevereiro e março são importantes também, mas já apresentam uma expectativa menor, com médias históricas em BH de 206 e 142 milímetros, respectivamente, o que se repete em quase todo estado”, projeta Correia.

De acordo com Kléber Souza, do 5º Distrito de Meteorologia, não há previsão de chuva importantes para os próximos 15 dias. “Ainda estamos sob influência de uma massa de ar seco que impede a chegada de frentes frias que são necessárias para provocar chuvas. Com isso, os próximos dias devem ser de calor intenso e pouca umidade”, afirma. A Copasa afirma que não há risco de faltar água por enquanto porque se preveniu, mas tudo vai depender do agravamento da estiagem no estado.
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